
Meu nome é Sheila e, aos 56 anos, já ouvi muitos comentários grosseiros enquanto dirigia para um aplicativo de transporte. Mas naquela noite, dois passageiros arrogantes passaram dos limites. Fiquei calada… até que um policial nos parou e transformou toda a corrida em algo que eles não previram.
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Você já teve uma daquelas noites que começam mal e só pioram até que algo muda, e de repente o mundo gira um pouco mais a seu favor? Foi isso que aconteceu comigo naquela noite fatídica.
Desde que a loja de ferragens do meu marido fechou durante a pandemia, tenho trabalhado como motorista de aplicativo. Perdemos o negócio, metade das nossas economias e quase a casa… duas vezes. Mas eu ainda tinha meu carro e minha carteira de habilitação. Então pensei: por que não?

Uma senhora idosa dirigindo um carro | Fonte: Freepik
Não é glamoroso. E não é fácil. Mas é honesto. Na maioria das noites, atendo pessoas educadas — passageiros cansados do transporte público, universitários bêbados, uma vez um dentista que me deu gorjeta com cartões-presente do Starbucks. Mas na última sexta-feira?
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Na última sexta-feira, o universo me presenteou com dois monstros mimados vestidos como se tivessem acabado de sair da capa de uma revista.
Eu estava no centro da cidade, pouco depois das 21h, quando eles entraram no banco de trás do meu carro. O cara tinha o cabelo penteado para trás, um queixo pequeno e presunçoso e um blazer ajustado que provavelmente vinha com uma atitude própria. A namorada dele era alta, radiante e cheirava a um perfume que eu não podia comprar nem nos nossos bons tempos.
Eles não disseram oi. Nem um “olá”, nem um “isso é para nós?”, nada. Simplesmente entraram como se estivessem me fazendo um favor.

Um jovem casal sentado em um carro | Fonte: Freepik
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O cara mal olhou para mim antes de soltar uma risada sarcástica tão alta que as pessoas na calçada puderam ouvir.
“Sério? Este é o passeio premium?”
Mantive o sorriso estampado no rosto. “Apertem os cintos de segurança, por favor.”
E pronto! Lá estava. O sorriso debochado. Aquele sorriso lento e malicioso, como se ele tivesse acabado de descobrir que eu estava abaixo dele e mal podia esperar para me lembrar disso.
Eles riram. Não de forma amigável. A garota se inclinou para frente e sussurrou algo, e ele bufou como se não pudesse acreditar no quão hilária ela era.
Então ele disse: “Aposto que ela dirige devagar para não derramar o suco de ameixa.”
Meu maxilar se contraiu antes mesmo dos meus dedos se moverem. A pele dos meus nós dos dedos repuxou, mas não por causa do choque. Já ouvi coisas piores. Mas sim pela forma como a dor persistia, como se eles estivessem apenas começando.

Trânsito noturno | Fonte: Unsplash
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“Meu Deus”, acrescentou a menina, “ela tem uma capa de assento de crochê! Minha avó também tinha uma dessas. Sem ofensas.”
Claro. Sempre tem um “sem ofensa” depois de um insulto para dar um ar mais inocente. É engraçado como as pessoas acham que isso é um passe livre para se safar. Não é. É só covardia disfarçada.
Eu disse para mim mesma: “Respire, Sheila. 10 minutos. Só 10 minutos. Deixe-os lá. Não se envolva.”
Então o cara se inclinou para a frente como se eu fosse um motorista de táxi em 1954. “Você não pode pegar a rodovia? Minha namorada enjoa no carro.”
Por um triz eu disse: “É melhor ela não passar mal no meu carro”, mas me contive.
“Claro, senhor”, eu disse, com o maxilar cerrado. “Sem problema.”
Ele soltou um longo suspiro de exasperação. “Meu Deus, as pessoas fazem qualquer coisa por cinco estrelas hoje em dia.”

Um carro sendo conduzido à noite | Fonte: Unsplash
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Cruzei o olhar com o dele no espelho. Ele estava sorrindo de forma irônica. Não sei o que me deu, mas não desviei o olhar.
Foi aí que a irritação se transformou em algo mais agressivo. Eles queriam que eu me sentisse inferior a eles. Como se eu tivesse sorte de poder levá-los a qualquer lugar.
“O QUÊ?” respondeu o homem bruscamente. “Não me olhe assim. Não sinto pena de você. Pessoas como você ESCOLHEM essa vida.”
E lá estava… aquela frase. Não apenas rude. Cruel. Deliberadamente cruel. Como se ele estivesse esperando para dizê-la… como se isso lhe desse algum tipo de estranha satisfação.
“Pessoas como eu”, murmurei. “Certo.”
Ele nem sequer piscou.

Foto em close-up de uma pessoa olhando fixamente | Fonte: Pexels
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Estávamos a uns quatro quarteirões do ponto deles quando vi as luzes vermelhas e azuis piscando atrás de nós.
Senti um frio na barriga. Ótimo. Uma multa por excesso de velocidade para piorar essa noite horrível.
A garota soltou um pequeno suspiro, como se as luzes piscantes tivessem arruinado seus planos de sexta-feira. O cara murmurou algo que não consegui entender direito. Provavelmente era mais uma alfinetada na minha idade.
Encostei o carro, com o coração disparado. A viatura parou completamente atrás de mim. O casal no banco de trás se mexeu como se estivesse levemente incomodado.
Ele estalou a língua. “E agora?! Essa mulher sequer sabe dirigir?”

Um carro de polícia | Fonte: Unsplash
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O policial saiu. Eu não consegui vê-lo claramente até que ele se aproximou da minha janela. Ele estava usando uma daquelas máscaras cirúrgicas azul-claras de farmácia.
“Estou me recuperando de uma gripe leve”, disse ele, inclinando-se ligeiramente para frente, com os olhos calmos enquanto examinava o carro. “Boa noite, pessoal. Tudo bem por aqui, senhora?”
A voz dele… parecia familiar. Eu ia responder quando o cara se adiantou. “Sim, senhor policial, estamos tranquilos. Só estamos tentando chegar à boate. Talvez diga à vovó que o limite de velocidade não é uma sugestão.”
Ele riu da própria piada enquanto a garota gritava como se estivesse assistindo a um programa de comédia de horário nobre. Era aquele tipo de risada que não ecoa. Ela arde. Senti-a se alojar em algum lugar logo atrás das minhas costelas.
Eu queria me fundir com o assento. Talvez desaparecer completamente.

Foto em tons de cinza de uma jovem rindo | Fonte: Pexels
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O policial não riu. Nem sequer um lampejo de divertimento. Olhou para mim novamente. “Senhora, a senhora é a motorista?”
Assenti com a cabeça, tentando parecer firme. “Sim, senhor. Estou dirigindo a trabalho. Só estou levando esses dois para a Broadway. Carteira de habilitação e registro do veículo estão em dia.”
O cara revirou os olhos e se inclinou para a garota novamente, falando alto o suficiente para que todos ouvissem. “Que sorte a nossa, hein? Talvez ela distribua lenços de papel quando se aposentar.”
Essa doeu de verdade.
O maxilar do policial se contraiu. Sua postura mudou ligeiramente, mas eu percebi. Ele deu um passo à frente. “Se importam se eu fizer algumas perguntas a vocês dois?”
A garota sentou-se, piscando. “Como o quê?”
“Você bebeu?”
O cara deu de ombros, com um ar presunçoso. “Casais bebem. E daí?” Seu tom nem era defensivo. Era ousado.

Um casal segurando taças de champanhe | Fonte: Unsplash
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“Sugiro que fale mais baixo”, disse o policial, ainda calmo, mas agora mais firme. “O jeito que você está se comportando? Isso está muito próximo de assédio.”
O cara piscou. Sua boca se abriu, como se tivesse algo desagradável preparado, mas, pela primeira vez, hesitou. “Você está falando sério?”
“Principalmente”, acrescentou o policial, estreitando os olhos, “considerando que você está zombando da mãe de alguém.”
As palavras me atingiram como tijolos. O carro parou. Foi então que algo mudou. Minhas mãos congelaram no volante. O ar dentro do carro se transformou. Virei-me lentamente para olhá-lo, e nossos olhares se encontraram. Ele hesitou por meio segundo e então abaixou a máscara do rosto.
“Mãe?”, disse ele baixinho.
Minha boca secou. Era meu filho, Eli.

Um policial em pé ao lado de uma viatura | Fonte: Pexels
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Eu nem sabia que ele trabalhava nessa região. Ele me implorou para não trabalhar mais à noite. Me disse mil vezes que ele e a esposa poderiam arcar com as nossas contas por um tempo. Mas eu nunca quis ser um peso para o meu filho.
Ele me viu pálida e tocou levemente no batente da porta, como se não quisesse me assustar. Então, sua expressão mudou.
Era o mesmo rosto que costumava me olhar com um sorriso radiante do banco de trás depois dos jogos da Liga Infantil. O mesmo que chorava quando não entrava para o time principal. E agora, endurecido pelo distintivo, seu maxilar travava de um jeito que eu não reconhecia, mas sabia o que significava.
Eli se virou para o casal, com um olhar frio. “É melhor vocês dois ficarem em silêncio pelo resto da viagem”, avisou. “Se eu ouvir mais uma palavra, vou tirá-los deste carro à força, e acreditem, não será uma boa noite para vocês.”
O cara abriu a boca e fechou-a de novo. A namorada dele ficou só olhando. O perfume que antes preenchia o carro agora parecia aromatizador de ar em cima de algo podre.

Uma mulher assustada | Fonte: Pexels
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Eli se aproximou de mim e disse, baixinho: “Me liga quando você os deixar aqui. Vou ficar por perto.”
Assenti com a cabeça, com a garganta apertada. Mas, de alguma forma, não me sentia mais sozinha.
O resto da viagem foi mais silencioso que o porão de uma igreja. Nenhum comentário. Nenhuma risadinha. Nem mesmo um suspiro.
O rapaz estava tão imóvel que parecia ter esquecido como se mexia. A rapariga olhava fixamente pela janela, com os lábios cerrados. Se o silêncio tivesse durado mais dois minutos, acho que nos teria engolido por completo.
Meu retrovisor mostrava agora dois estranhos. Não a dupla presunçosa que entrara no carro com o nariz empinado. Apenas um par de crianças mimadas que finalmente ouviram um “não”.

Foto em close-up de uma senhora idosa dirigindo um carro | Fonte: Freepik
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Cada sinal vermelho parecia mais longo. E cada curva, mais barulhenta. Meu coração tinha desacelerado, mas a opressão no peito continuava lá, como um balão que alguém esqueceu de soltar.
Quando os deixei na boate, eles praticamente saíram correndo. Nem disseram “obrigado” ou “boa noite”. O cara nem tentou sua piadinha de sempre. Simplesmente pegou o celular e digitou uma gorjeta que pareceu mais um pedido de silêncio do que um gesto de gentileza.
Eu nem ligava. Não era uma questão de dinheiro. Nunca foi uma questão de dinheiro.
Enquanto se afastavam, vi-a olhar para trás uma vez. Já não tinha aquele ar presunçoso. Apenas… envergonhada. Talvez. Ou talvez estivesse apenas a perceber que, afinal, não eram intocáveis.
Bom.
Fiquei ali sentada por um segundo. Apenas respirando. Minhas mãos ainda tremiam um pouco.

Silhueta de duas pessoas caminhando na rua | Fonte: Unsplash
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É engraçado como alguém pode dizer uma dúzia de coisas cruéis, mas é a última que gruda na gente como piche. Aquela jornada poderia facilmente ter me destruído. Mas não destruiu. Não desta vez.
Peguei meu telefone e liguei para Eli.
“Obrigada, querido”, eu disse. Minha voz falhou, embora eu tentasse me controlar. Eu não queria que aquilo se prolongasse, mas se prolongou. E ele sabia disso.
“Mãe”, suspirou ele, “você sabe que eu não posso prender alguém por ser um idiota, né?”
“Eu sei”, eu disse. “Mas talvez eles pensem duas vezes da próxima vez.”
Houve uma pausa do outro lado da linha. Apenas uma respiração, mas que significava algo.
“Você está bem?”, perguntou ele.
Olhei para o banco traseiro vazio. Meus olhos pousaram na mesma velha capa de crochê que um dia esteve na caminhonete do meu marido, na época em que achávamos que tínhamos tudo resolvido.
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“Sim”, eu disse. “Estou bem. Pela primeira vez em muito tempo… estou bem.”
E eu estava falando sério.

Uma cadeira com uma capa de crochê desgastada | Fonte: Unsplash
Eu não me sentia como o alvo de uma piada. Eu me sentia como a mãe de alguém. E talvez isso fosse o suficiente.
Mais tarde naquela noite, meu marido ainda estava acordado assistindo a um filme de faroeste antigo no sofá quando entrei. Um cobertor velho estava jogado sobre seu colo. Ele segurava uma caneca de café descafeinado que havia requentado três vezes antes de conseguir terminar.
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“Turno difícil, querida?”, perguntou ele, estendendo a mão para pegar o controle remoto.
Sentei-me ao lado dele e tirei os sapatos. Meus pés doíam muito, e minhas costas pareciam ter sido torcidas para o lado e deixadas assim. Mesmo assim, soltei uma risadinha.
“Pode-se dizer isso, Paul.”

Um homem segurando uma xícara de cerâmica | Fonte: Pexels
Ele olhou para ela. “Você está bem, querida?”
Apoiei a cabeça no ombro dele. Aquele ombro familiar que carregou tanta coisa sem nunca pedir reconhecimento. “Sabe o que é louco? Acho que sou eu.”
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Paul sorriu e beijou o topo da minha cabeça como já havia feito mil vezes antes… sem pressa e sem nunca precisar de agradecimentos.
“Essa é a minha garota.”
E por um segundo, ficamos ali sentados. Sem TV. Sem conversa fiada. Apenas aquele tipo de silêncio que parece pleno, não vazio.

Um casal de idosos sentado no sofá | Fonte: Pexels
Sabe de uma coisa? Talvez eu não faça isso para sempre. Um dia, vou largar o emprego de motorista de aplicativo e passar minhas noites fazendo bolo de banana ou quebra-cabeças com o Paul. Talvez eu deixe meus joelhos descansarem. Deixe outra pessoa carregar o peso por um tempo.
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Já faz uma semana, e hoje à noite, sentada no meu carro, o mesmo Corolla velho em que chorei quando nossa loja faliu, não me senti insignificante. Senti que fui vista. E às vezes, é tudo o que realmente queremos.
Pessoas arrogantes acham que são intocáveis. Que dinheiro e beleza as levarão pela vida sem jamais serem responsabilizadas. Mas a verdade é que, mais cedo ou mais tarde, a vida dá um jeito de virar o espelho e mostrar a realidade. Você zomba da luta de alguém hoje e, um dia, pode se encontrar na mesma situação, desejando que alguém lhe mostre a compaixão que você nunca demonstrou.

Um espelho | Fonte: Unsplash
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